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A Metafísica

Ana Maria Prandato - 22/07/2001


I - A Metafísica Clássica

A descoberta, ou a concepção da Metafísica, é atribuída a Platão, filósofo grego nascido em Atenas e que viveu no período de 428/427 a.C. (antes de Cristo) a 347 a.C. (tendo vivido, portanto, por aproximadamente oitenta anos), embora outros filósofos tivessem esboçado anteriormente alguns conceitos nessa direção, sem, contudo, aprofundá-los. Seu nome verdadeiro era Aristócles e, segundo diversos estudiosos, ficou conhecido como "Platão" pelo fato de ter ombros largos, pois "platos" significa largueza. Bem jovem, possivelmente aos vinte anos, entrou em contato com Sócrates, citado como "o mais sábio e o mais justo dos homens", e tornou-se seu discípulo.

Quando Platão estava com uns vinte e nove anos, Sócrates foi condenado, por motivos políticos, a beber o veneno cicuta, que o levaria à morte. Entretanto, tudo aquilo que aprendera e que vivenciara com Sócrates estava fortemente gravado dentro de si, e Platão prosseguiu em busca de respostas, desenvolvendo uma filosofia que não se limitava a explicar e a compreender a vida por meio de causas físicas ou mecânicas, mas ia além, afirmando que aquilo que vemos como causa, na verdade é conseqüência de um poder maior - ainda que invisível - facilmente percebido e compreendido pela nossa inteligência e pela nossa intuição, chegando, por esse modo, à filosofia espiritualista - e à Metafísica.

Nas palavras de Carlos Antonio Fragoso Guimarães, "Platão foi o responsável pela formulação de uma nova ciência, ou, para ser mais exato, de uma nova maneira de pensar e perceber o mundo."

Apesar de as idéias filosóficas e políticas de Platão terem exercido profunda influência no pensamento ocidental, o passar dos séculos, para esta Humanidade deslumbrada pelos avanços materiais, dividida em lutas ideológicas, condicionada aos mandos e desmandos dos detentores do poder, ocupada com as agruras da sobrevivência e com a satisfação imediata das necessidades físicas, foi confinando esses conhecimentos - como tantos outros - aos limites da cultura escolar mais avançada, distanciando-os, dessa forma, da grande maioria das pessoas.

Tendo em vista que o nosso objetivo, aqui, não é o estudo da Metafísica Clássica, aos leitores que se interessarem por uma maior compreensão nesse campo, recomendamos o excelente trabalho de Carlos A.F.Guimarães, "O Espiritualismo Ocidental".


II - A Metafísica atual

A palavra "Metafísica" significa "além do físico, do material" (meta: além, e física: matéria). Assim, é compreensível que esse nome tenha sido dado a um "movimento de pensamento" que se difunde no Brasil, mais intensamente em São Paulo, há uns trinta anos, e que afirma e comprova que não somos seres passivos frente a um destino aleatório - cruel ou risonho, mas tão indecifrável quanto indeterminado - e sim agentes constantemente ativos, mesmo que nem sempre conscientes, de tudo aquilo que nos acontece de agradável ou desagradável.

Ao que sabemos, (já que não estão disponíveis, até o momento, registros precisos), a princípio ele teria sido inspirado numa linha de pensamento proveniente da Metafísica - o Mentalismo, que começou a tomar força nos Estados Unidos por volta de 1900, sendo lá bastante conhecido e praticado, especialmente na Califórnia, estado americano que se destaca pelo grande fluxo de idéias inovadoras que se refletem nas artes, nas ciências, nos costumes e na elevação da qualidade de vida.

Chegando até nós, porém, essas idéias teriam encontrado terreno fértil, aliando-se a profundos conhecimentos espiritualistas já atualizados, assimilados e experimentados por boa parte das pessoas que aqui se interessam em conhecer a vida de um jeito mais claro e mais significativo. Nascia, então, essa Metafísica que vem despertando a atenção tanto de estudiosos quanto daqueles menos habituados a estudar, uma vez que, além de ser tema de livros, palestras, cursos e grupos de estudo, é veiculada democraticamente por emissoras de rádio AM e FM, estando agora acessível também aos internautas.

Alguns metafísicos respeitados falam da possibilidade, ou da necessidade, de se encontrar um outro nome que transmita melhor o significado dessa Metafísica de hoje, desvinculando-a da filosofia clássica. De qualquer forma, o termo que prevalece até agora é esse, e é assim que uma outra maneira de pensar e de sentir a vida está se popularizando. Do nosso ponto de vista pessoal, ela bem pode ter sua raiz na Metafísica Clássica, tendo incorporado, contudo, a contribuição valiosa e enriquecedora de conhecimentos posteriores, entre os quais os estudos da Psicologia e as constatações acerca da espiritualidade, que fizeram com que passássemos a considerar fenômenos antes tachados de místicos ou sobrenaturais como sendo expressões de uma natureza ainda pouco estudada e pouco levada em conta pelas chamadas ciências acadêmicas. Por esse ângulo, tratá-la como "Metafísica atual", para nós, está satisfatório.

Sem nenhuma conotação religiosa ou doutrinária, as idéias metafísicas independem de qualquer opção de religiosidade. Entretanto, aqueles que as abraçam caracterizam-se, em especial, pelo cultivo de uma espiritualidade cada vez mais livre e mais independente.

A Metafísica atual não apresenta mestres ou líderes. Ainda assim, alguns nomes se destacam pelo valor da contribuição que vêm prestando ao desenvolvimento e ao aprofundamento dessa nova visão. Entre eles, um dos mais expressivos e atuantes é Luiz Antonio Gasparetto, autor de grande número de livros publicados em sucessivas edições, conhecido internacionalmente por seu trabalho mediúnico e um dos principais comunicadores metafísicos da atualidade.

Ainda segundo o que sabemos, foi Gasparetto quem iniciou a popularização desses conceitos entre nós, aqui no Brasil, depois de ter entrado em contato com eles e de ter sentido seus efeitos durante o tempo em que viveu na Califórnia, buscando complementar estudos na área da Psicologia. Desde então, ele vem ampliando e aprofundando essa visão metafísica por meio dos próprios conhecimentos científicos e também da sua apurada sensibilidade espiritual e mediúnica.

Aliás, a Metafísica atual apresenta essas duas características importantes: aqueles que se dedicam a estudá-la e a praticá-la profunda e verdadeiramente, somam a ela a contribuição dos seus próprios conhecimentos e experiências pessoais, conforme sua área de pesquisa e atuação; o outro fato importante que a caracteriza é a fácil assimilação popular. Em linguagem simples, ela toca o coração das pessoas e movimenta a sua inteligência, levando ao seu conhecimento essa "outra maneira de pensar e de sentir a vida", ou levando, em outras palavras, a proposta do desenvolvimento contínuo e gradual da consciência. Estimulando o nosso poder de discernimento e a nossa responsabilidade diante da vida, independentemente de "classes" sociais (culturais ou econômicas), possibilita a efetiva transformação individual e social que, sabemos, só pode ocorrer de dentro pra fora de cada um de nós, em benefício do bem coletivo.



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